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Redação ZaaZ · politica

CHECAMOS A FALA DO CANDIDATO FLÁVIO BOLSONARO sobre salário mínimo e o tesouraço: é fato ou fake?

Flávio Bolsonaro prometeu reajuste do salário mínimo acima da inflação, mas a promessa foi contestada por reportagens sobre um suposto plano de tesouraço. Veja o que é confirmado e o que não é.

Por Redação ZaaZ · há 1 h

No debate, o candidato Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, vai aumentar o salário mínimo acima da inflação. A fala foi contestada com o argumento de que entrevistas e reportagens apontariam um plano de tesouraço, que congelaria benefícios e até reajustes. A Redação ZaaZ foi conferir o que é confirmado e o que ainda não foi comprovado.

Veredito: não é bem assim. A promessa existe, mas o congelamento citado ainda não foi comprovado.

O que se confirma: em entrevista à TV Globo, na sexta-feira (16), Flávio disse que vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação, que não pretende desvincular as aposentadorias do mínimo e que não vai mexer nos pisos constitucionais de saúde e educação. Ele chamou de fake news as informações sobre um tesouraço e afirmou que o ajuste viria de corte de ministérios, cargos comissionados, melhor gestão das estatais e novas fontes de receita. Segundo reportagem de um site de economia, antes disso a página da campanha não citava ganho real para o mínimo.

O que existe de contraponto: no início do ano, segundo o Brasil de Fato, o próprio candidato falou em um tesouraço para equilibrar as contas. Em 7 de outubro, a Folha de S.Paulo publicou que a equipe econômica estudaria um pacote de corte de gastos de cerca de 2% do PIB, algo em torno de R$ 250 bilhões. Pelo relato, o pacote incluiria acabar com os pisos de saúde e educação e limitar o reajuste de aposentadorias do INSS e do BPC à inflação, mesmo que o mínimo tenha ganho real. Isso seria feito por uma PEC votada antes da posse. A campanha respondeu que conversas informais e interpretações de terceiros não são posição oficial e que essas propostas não estão no plano de governo.

Também em outubro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, disse em podcast, ao lado de Flávio, que o governo não tem moral para debater ajuste de previdência e de salário mínimo se não cortar na carne, e que a equipe prepara 300 opções de cortes. Ela não detalhou quais são as medidas nem se o salário mínimo faz parte da lista, e a campanha não informou se pretende mudar a fórmula atual de reajuste.

O que não se confirma: não há documento oficial da campanha, nem fala do próprio candidato, que determine o congelamento do salário mínimo ou de benefícios. O que há são reportagens sobre propostas em estudo, que a campanha nega, e a afirmação de economistas de que a mudança limitaria o ganho real de quem recebe benefícios ligados ao mínimo. Cerca de 29 milhões dos mais de 41 milhões de benefícios do INSS equivalem a um salário mínimo.

Como o assunto está em disputa, vale acompanhar o que será apresentado na transição de governo, caso o candidato vença.

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