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Redação ZaaZ · politica

Renan Santos acusa Flávio Bolsonaro de ligação com o Comando Vermelho: o que se sabe e o que ainda não foi provado

Vídeo do ex-candidato do Missão voltou a viralizar na reta final do segundo turno. Entenda o que é acusação, o que é investigação e o que a Justiça Eleitoral já decidiu.

Por Redação ZaaZ · há 1 h

Um trecho de fala do ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) voltou a circular nas redes nesta terça-feira (20), a poucos dias do segundo turno. No vídeo, gravado em um encontro com empresários promovido pela Amcham Brasil, em setembro, Renan afirma que Flávio Bolsonaro é envolvido com o Comando Vermelho e diz desprezar quem pretende votar no senador. Renan ficou neutro no segundo turno e não declarou voto em nenhum dos dois candidatos.

A acusação não é nova. Em agosto, no lançamento da campanha em São Paulo, ele já havia associado o senador a integrantes do CV e falado em "milícias condecoradas pelo gabinete dele". Mas o que existe de concreto por trás dela? Vamos por partes.

O que Renan apresenta como base

Em outras falas, Renan cita nomes de aliados políticos de Flávio. Ele menciona o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, preso pela Polícia Federal com um fuzil, e os ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar e TH Joias, presos por suspeita de envolvimento com o CV. Em uma conferência em São Paulo, ele afirmou que Flávio apoiava os dois e disse que a classificação ligada ao CV não era opinião dele, e sim da Polícia Federal.

O que a Polícia Federal e a Justiça dizem sobre Bacellar e TH Joias

Em fevereiro, a PF indiciou Rodrigo Bacellar e TH Joias por vazamento de informações a integrantes do Comando Vermelho. O relatório enviado ao STF afirma que Bacellar exercia a liderança do núcleo político da facção. Os advogados de Bacellar disseram que não há provas de participação em crimes e chamaram o indiciamento de arbitrário e abusivo. A defesa de TH Joias nega qualquer participação em vazamentos. Em agosto, a Primeira Turma do STF aceitou por unanimidade a denúncia da PGR, e a defesa de Bacellar afirma que vai demonstrar sua inocência durante o processo. Ou seja, os dois respondem a processo e ainda não houve julgamento final.

O ponto central: Flávio não é alvo dessas investigações

Esse é o detalhe que separa a proximidade política de uma acusação formal. Nas fontes consultadas, não há investigação, denúncia ou imputação contra Flávio Bolsonaro por ligação com o Comando Vermelho. A relação apontada é de aliança política com pessoas que são investigadas ou rés.

A decisão do TSE

A Justiça Eleitoral já tratou do assunto. Em junho, a ministra Estela Aranha determinou a retirada de publicações que ligavam Flávio ao CV e à Operação Unha e Carne, entendendo que o conteúdo ultrapassava os limites da crítica política e construía um vínculo por associação indireta, sem apontar elemento concreto. O texto da decisão também registra que ele não é investigado nessa operação. Segundo o TSE, os conteúdos analisados não traziam dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que sustentasse o vínculo.

A decisão se refere a postagens de outros políticos e perfis, não ao vídeo de Renan especificamente. Mesmo assim, ela mostra como o tribunal vem tratando esse tipo de associação durante a campanha.

Os episódios do passado que seguem em debate

Reportagens e textos de opinião também lembram episódios antigos. Flávio empregou, entre 2008 e 2018, a mulher de Adriano da Nóbrega, ex-capitão suspeito de comandar o Escritório do Crime, e também homenageou na Alerj o major Ronald Pereira, apontado como outro suspeito de comandar a milícia. São fatos registrados pela imprensa desde 2019, e eles alimentam o debate político, mas as fontes consultadas não trazem condenação de Flávio por causa deles.

O outro lado e a guerra de acusações

A campanha de Flávio tem usado o tema da facção contra o adversário. O TSE já mandou remover postagens dele que associavam Lula ao PCC e ao Comando Vermelho, e ele chegou a ser condenado por propaganda eleitoral antecipada negativa. A defesa do senador sustenta que as publicações estão protegidas pela liberdade de expressão e pelo direito de questionar posicionamentos políticos. Na prática, os dois lados trocam acusações sobre facções, e a Justiça Eleitoral tem derrubado conteúdos de ambos.

O que o eleitor deve levar em conta

Uma fala de candidato em evento ou entrevista é uma declaração política, não uma conclusão da Justiça. Até aqui, as investigações atingem aliados de Flávio, e não o próprio senador. Quem quiser se aprofundar pode acompanhar o andamento do processo contra Bacellar e TH Joias no STF e as próximas decisões do TSE.

A reportagem não localizou, nas fontes consultadas, uma resposta de Flávio Bolsonaro especificamente sobre o vídeo de Renan. O espaço segue aberto.

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