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Redação ZaaZ · policia

Você sabe o que é uma milícia? Entenda como esses grupos atuam no Brasil

Muito se fala em miliciano, mas você sabe o que é um grupo miliciano? Entenda de forma simples como as milícias surgiram, como atuam e qual a diferença para o tráfico.

Por Redação ZaaZ · há 1 h

Você já deve ter ouvido a palavra "miliciano" em telejornais, rodas de conversa e redes sociais. Mas, afinal, o que é um grupo miliciano? Vamos explicar de um jeito simples, sem complicação.

O que é uma milícia

No Brasil, milícia é um grupo armado que controla uma região, geralmente bairros ou comunidades, e cobra dinheiro dos moradores e comerciantes. Isso costuma acontecer sob a promessa de oferecer "proteção" e segurança. Na prática, o pagamento é imposto, e quem não paga pode sofrer ameaças.

Pesquisadores explicam que o grupo costuma ser formado por agentes ou ex-agentes do Estado, como policiais, bombeiros, guardas municipais e militares. Por isso, a milícia atua fora da lei, mas usa conhecimento, contatos e até armamento ligados à área de segurança.

Vale um detalhe curioso: a palavra "milícia" vem do latim e, em outros países e épocas, já significou simplesmente um grupo de cidadãos que se organiza para defesa. No Brasil, porém, o termo ganhou outro sentido e hoje se refere a uma atividade criminosa.

Como as milícias atuam

Segundo estudos sobre o tema, as atividades mais comuns incluem a cobrança de taxas de segurança de moradores e lojistas, o controle de serviços como transporte alternativo, gás, internet e TV clandestina, a extorsão e as ameaças, o controle de território com armas e, em algumas regiões, a influência política local, inclusive no voto.

O objetivo principal é o lucro. A "proteção" funciona como porta de entrada para dominar o comércio e os serviços de cada área.

Como tudo começou

A origem das milícias no Rio de Janeiro costuma ser ligada aos grupos de extermínio das décadas de 1950 e 1960. Já o modelo que conhecemos hoje ganhou força a partir dos anos 2000. Muitos estudiosos citam a comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste carioca, como um dos primeiros exemplos.

Na época, os grupos se apresentavam como uma espécie de autodefesa comunitária contra o tráfico de drogas. Com o tempo, esse discurso deu lugar à cobrança forçada e ao domínio de territórios. Em 2006, uma reportagem do jornal O Globo sobre policiais que assumiram o controle de dezenas de favelas ajudou a colocar o termo "milícia" no centro do debate público.

Só no Rio de Janeiro?

O fenômeno é mais forte e mais estudado no Rio de Janeiro, mas pesquisas indicam que grupos com esse perfil também existem em outros estados, com características próprias em cada lugar.

Qual a diferença para o tráfico?

Embora os dois sejam grupos armados que dominam territórios, a milícia costuma ter como marca a presença de agentes ou ex-agentes de segurança e a cobrança de taxas e serviços. O tráfico gira principalmente em torno da venda de drogas. Em alguns casos, porém, estudos do Ministério Público do Rio apontam que há milícias que chegam a alugar territórios para traficantes, o que mistura os dois universos.

Por que isso importa para você

Entender o que é uma milícia ajuda a acompanhar as notícias com mais clareza e a perceber como a falta de segurança em algumas áreas abre espaço para esse tipo de grupo. Também é importante lembrar que moradores dessas regiões são, na maioria das vezes, vítimas dessa dominação.

Se você presenciar ou souber de crimes desse tipo, pode denunciar pelo Disque Denúncia (o número varia de acordo com o estado) ou pelo 190, em caso de emergência.

E você, já conhecia o significado de milícia? Deixe sua opinião nos comentários e digite NOTÍCIA para saber mais sobre esse e outros assuntos importantes.

Fontes consultadas: Politize!, Le Monde Diplomatique Brasil, Observatório das Metrópoles, Revista Contemporânea (UFSCar) e artigos acadêmicos sobre milícias no Rio de Janeiro.

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